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Visuality and Visualization LabSchool of Fine ArtsFederal University of Rio de Janeiro

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Registrando a alimentação da semana

Atividade da disciplina de visualização de dados criativa

September 17th, 2026

Inspirados no projeto Dear Data das designers Georgia Lupi e Stefanie Posavec, os alunos da disciplina de Visualização de Dados Criativa (PPGD / EBA) foram desafiados a coletar seus dados para a produção de visualizações pessoais. A atividade consistia em reunir dados sobre um determinado aspecto do cotidiano das pessoas e representá-los com uma técnica específica. O trabalho relatado aqui foi o do grupo formado por Gabriella, Igor e Manoel, que escolheram a técnica de colagem para apresentar seus dados sobre alimentação. 

Durante sete dias (13/08/2026 a 19/08/2026) os três integrantes coletaram os seguintes dados: data, hora, tipo de refeição, o alimento, a quantidade em gramas e fotografias. A partir desses dados foi possível montar as planilhas e relacionar as informações para obter novos dados. Em seguida, foi feita a codificação dos dados e a construção da visualização. A seguir apresentamos o processo e os resultados individuais.

Gabriella – O plano alimentar

Em uma tentativa de observar a sua conformação ao novo plano alimentar proposto pelo nutricionista, Gabriella optou por criar uma representação que demonstrasse o “alinhamento” ao plano. Para isso, inicialmente foi criada, na planilha, a coluna de calorias de cada alimento, o somatório da caloria por refeição, a porcentagem de calorias referente a caloria ideal presente no plano alimentar e o somatório da caloria no dia. Além da planilha com os dados sobre a alimentação da semana, também foi necessário fazer uma segunda com as mesmas categorias para o plano alimentar elaborado pelo nutricionista que é o referencial para análise. Assim, calculou-se o percentual de variação de calorias da refeição real (C/RR) em função da refeição ideal (C/RI). Os valores obtidos foram usados como área do círculo. Os cálculos de área e desenho do tamanho das circunferências foi feito por uma inteligência artificial, o Claude, com o seguinte prompt: Crie uma imagem com círculos brancos com contorno em preto com os seguintes tamanhos de área em milímetros e escreva o tamanho no meio de cada circunferência. Dê prioridade a precisão do tamanho do círculo, se necessário diminua o tamanho da fonte do texto. Lista de tamanhos dos círculos: 91, 105, 0, 124, 92,67, 76, 149, 137, 52 ,0, 231, 58, 72, 64, 167, 29, 77, 72, 29, 71, 44, 68, 79, 57, 54, 62, 124, 100.

Para a representação com técnica de colagem, foi usado como base um papel A4 de 75g e papéis seda coloridos com os círculos. A fim de ter uma maior precisão, utilizou-se as imagens geradas pelo Claude para criar uma base de referência e, então, cortar as formas nas folhas coloridas com tamanhos certos. Além disso, usando o programa Affinity, foi possível estimar tamanhos, posições e distâncias que coubessem na área do papel A4. A seguir estão as imagens de geração de alternativas, moldes e malha de referência, assim como a imagem da Visualização final. Para ler a imagem é necessário saber que cada espaço circular é a quantidade total de calorias que se deve consumir na refeição. As colunas são os dias e as linhas e cores são os tipos de refeições. O tamanho do círculo refere-se à quantidade de calorias e a posição é a hora em que se consumiu. O desalinhamento demonstra tanto no horário de consumo (posição) quanto na quantidade de calorias (tamanho em área) demonstra a adesão ao plano alimentar.

Figura 1: Círculos que representam as calorias consumidas por sua área.
Figura 2: Visualização com linhas guia de construção.
Figura 3: Visualização de Dados do plano alimentar da Gabriella.

Igor – Mapeando macronutrientes

Com o objetivo de entender o estado atual da sua dieta e perceber pontos de melhoria, Igor mapeou durante os dias 12 e 18 de Agosto de 2026 todas suas refeições (incluindo bebidas – exceto água). O processo de captura de dados foi plural: para refeições preparadas pelo aluno em casa, pesou os ingredientes; para refeições a quilo consumidas fora de casa, registrou o peso e fotografou o prato; para refeições a la carte fora de casa, fotografou o prato.

Figuras 4 e 5: Fotografias tiradas para o processo de captura de dados da dieta de Igor

Com os dados coletados, Igor requisitou à Inteligência Artificial Gemini que trouxesse o peso dos macronutrientes por estimativa, além das calorias. Com os dados, gerou uma planilha.

Figura 6: Fragmento da planilha em que igor compilou os dados de sua dieta semanal.

Igor também estabeleceu valores de consumo insuficiente, adequado e excessivo, considerando como parâmetros de referência sua idade (34 anos), peso (72kg), altura (1,70m) e objetivo nutricional (hipertrofia muscular). 

Para montar os gráficos, Igor aplicou técnica de colagem e recorte, usando como base post-its coloridos. Testou um arranjo circular (inspirado no visual de prato de comida), mas o que se mostrou mais funcional foi o de barras verticais empilhadas.

Os gráficos foram montados por quantidade de caloria e peso em gramas de tipos de macronutriente (carboidratos, gorduras, proteínas, sódio e fibras), pois essa abordagem se mostrou mais eficaz para alcançar o objetivo de identificar pontos de melhoria necessários. Usou-se um código de cor para as refeições: laranja para café-da-manhã, verde para almoço, azul para lanches e rosa para jantar.

Figura 7: Mosaico com fotografias das 6 pranchas finais, produzidas para o mapeamento da dieta de Igor.

A partir dos gráficos é possível concluir que Igor consumiu quantidade:

  • Adequada de carboidratos e proteínas;
  • Excessiva de sódio;
  • Insuficiente de fibras;
  • Ora adequada ora excessiva de calorias e gorduras.

Pode-se concluir que uma troca de alimentos gordurosos por fibrosos balancearia os níveis de gorduras, fibras e calorias (pois gorduras são altamente calóricas); e que diminuir a quantidade de pratos com uso excessivo de sal (principalmente massas ) é imperativo.

Manoel – Cromatografia do Prato: A Paleta Cromática das Refeições Diárias 

A inspiração inicial para o desenvolvimento do trabalho veio a partir do artigo jornalístico: ‘Why eating colourful food is good for you’ da BBC, publicado em 2021. Com base no livro Dear Data e nas reuniões em aula, este projeto objetiva investigar como as escolhas alimentares diárias se traduzem em identidades e padrões visuais cromáticos. A proposta consistiu em registrar sistematicamente a composição visual das três principais refeições diárias: café da manhã, almoço e jantar. Mediante os registros fotográficos de cada prato, realizou-se um processo de amostragem e síntese física de pigmentação: as tonalidades presentes nos alimentos de cada refeição foram misturadas para produzir uma cor única e representativa. O resultado é uma paleta composta por 21 cores, organizada por dia da semana e por refeição (café da manhã, almoço e jantar). Cada quadrado colorido possui, em seu verso, a fotografia do prato correspondente, estabelecendo uma relação direta entre os dados originais e sua representação visual. 

As imagens abaixo revelam a relação entre as fotografias e as cores selecionadas:

Figura 8: Fotografias das refeições e suas cores associadas.
Figura 9: Pintura das cores no verso das imagens coladas.

Apesar de terem como similaridade a coleta de dados, o tema e técnica de representação, cada integrante apresentou uma visualização completamente distinta uns dos outros. No entanto, alguns pontos em comum foram discutidos em sala de aula:

1. a coleta de dados pessoais motivou os integrantes a refletirem sobre sua alimentação e até escolherem alimentos mais saudáveis pois sabiam que seriam observados;
2. Houve um certo constrangimento em analisar seu próprio comportamento;
3. A adequação da codificação e a complexidade de leitura;
4. A coleta de poucos dados resultou em planilhas complexas;
5. A dificuldade de coletar os dados;
6. A utilização de inteligência artificial para enriquecimento dos dados, definição exata de tamanhos, proporções e cores.

Todos esses assuntos são interessantes para uma pesquisa mais profunda, porém, o destaque da prática ficou pela utilização de materiais físicos e a exploração criativa, incentivando os alunos a compartilharem suas experiências aqui. 

Gabriella Murta Pinheiro é mestre pelo Programa de Prós-Graduação em Design da EBA – UFRJ (2022). Recebeu o título de Bacharel em Desenho Industrial pela Universidade Federal Fluminense, em 2017, onde atuou na Agência de Inovação da UFF (AGIR) como estagiária na Incubadora de Empresas. Foi assistente de designer na International Christian Fellowship, na Alemanha, em 2018.